SERRA IMPÔS DEFESA DO IMPEACHMENT - Dilma Rousseff
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SERRA IMPÔS DEFESA DO IMPEACHMENT

O então ministro das Relações Exteriores obrigou centenas de diplomatas a defender a derrubada de Dilma

02/05/2019 7:18

Por ordem direta do então ministro das Relações Exteriores, José Serra, o Itamaraty expediu em 2016 centenas de ofícios impondo aos embaixadores brasileiros no exterior a defesa do impeachment de Dilma Rousseff. Serra e o presidente Temer tentavam enfrentar a narrativa que foi adotada pela imprensa internacional e por políticos e intelectuais no mundo inteiro segundo a qual a derrubada de Dilma tinha sido um golpe, por se apoiar em acusações de crimes de responsabilidade que não haviam sido cometidos. Apesar do esforço do governo e da mentira acolhida pela mídia brasileira, na maioria dos países a verdade prevaleceu: foi golpe.

 

Eis um trecho da reportagem da Agência Pública a respeito.

 

AGÊNCIA PÚBLICA

ITAMARATY INSTRUIU EMBAIXADORES A NEGAR GOLPE

CONTRA DILMA E APOIAR TEMER, MOSTRAM DOCUMENTOS

 

Doze dias após afastamento da ex-presidente, ministro José Serra enviou guia para diplomatas apoiarem Michel Temer e defenderem impeachment, que só foi concretizado três meses depois

 

“Cumpri instruções”. Assim começa uma série de correspondências escritas por diplomatas brasileiros no exterior. Da representação do Brasil em Washington ao embaixador na minúscula e paradisíaca ilha de Santa Lúcia, no Caribe, oficiais brasileiros obedeceram à ordem clara e rigorosa do Ministério das Relações Exteriores do recém-iniciado governo de Michel Temer (MDB): rechaçar qualquer questionamento ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) vindo de outros diplomatas, de órgãos internacionais ou mesmo da imprensa estrangeira, além de manter informado o governo Temer de onde partiriam eventuais críticas.

A ordem partiu do também recém-empossado ministro José Serra (PSDB), no dia 24 de maio DE 2016 — apenas 12 dias após o afastamento inicial de Dilma pela Câmara dos Deputados. As informações estão presentes mais de cem comunicados transmitidos pelas embaixadas do Brasil entre maio e setembro de 2016, aos quais a Pública teve acesso através de pedidos pela Lei de Acesso à Informação. Segundo os documentos, era crucial aos embaixadores brasileiros rebater qualquer afirmação sobre erros de conduta durante o julgamento, que citasse “jogos de interesse” ou apontasse de manobra política no processo. Termos como “golpe de Estado” e “manipulação política” também constaram nos exemplos de “posturas equivocadas”.

 

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