Dilma: Negligenciar Mercosul e Brics seria uma “temeridade” - Dilma Rousseff
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Dilma: Negligenciar Mercosul e Brics seria uma “temeridade”

19/05/2016 6:14

A presidenta Dilma Rousseff criticou a possibilidade de o governo interino afastar o Brasil de seus vizinhos do Mercosul e da Unasul e também dos parceiros emergentes do Brics: Rússia, Índia, China e África do Sul. “Espero que não cometam esse absurdo contra o País”, alertou Dilma, em entrevista exclusiva ao jornalista americano Glenn Greenwald, do site The Intercept. A presidenta qualificou os grupos multilaterais como “grandes conquistas para o Brasil” e lembrou que, até o governo do ex-presidente Lula, se fez no País uma diplomacia voltada apenas para os países desenvolvidos.

“Seria uma temeridade supor que o mercado regional possa ser desprezado. Nenhum país do mundo despreza seus mercados regionais. É absolutamente importante ter uma boa relação com os Estados Unidos e a Europa. Agora, supor que é possível um país da dimensão do Brasil não ter uma relação estreita com os países da Unasul, com os países do Mercosul e com esta grande conquista para o multilateralismo que são os Brics é uma temeridade. Seria no mínimo uma grande ignorância”, acrescentou a presidenta.

No início da semana, Dilma já havia criticado a postura de José Serra, chanceler do governo provisório, que atacou, de forma dura e absolutamente incomum no meio diplomático, os países latino-americanos que se opuseram publicamente ao golpe no Brasil. O mesmo ministro indicou que pode fechar embaixadas abertas pelo Itamaraty em países africanos e latino-americanos, revertendo a bem sucedida expansão da política externa brasileira ocorrida nos últimos 14 anos.

Questionada, a presidenta também criticou a decisão do ministro Gilmar Mendes de suspender uma investigação contra o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, por suposta ligação com um esquema de pagamento de propina na estatal Furnas. “O ministro Gilmar Mendes não é a única pessoa no Supremo Tribunal. Nem todos tem a mesma posição efetivamente militante, visivelmente militante do ministro Gilmar Mendes. Ele está tomando atitudes que vão ser avaliadas ao longo do tempo por todos os brasileiros. No Brasil nós não podemos ter dois pesos e duas medidas. Quando se investigar, que se investiguem todos. Ninguém pode ser poupado das investigações”, afirmou.

Luta e injustiça

Na conversa com Greenwald, jornalista que ajudou a relevar o esquema de espionagem do governo dos EUA, denunciado pelo ex-agente Edward Snowden, Dilma voltou a garantir que lutará até o fim pelo restabelecimento de seu mandato.

Reconheceu, porém, que seu afastamento da função operacional de presidente, sem crime de responsabilidade comprovado, a afeta do ponto de vista pessoal. “Eu sou a presidenta efetiva e legítima do Brasil. É uma injustiça. Talvez a coisa mais difícil para uma pessoa suportar, além da dor, da doença e da tortura seja a injustiça. Você fica como se estivesse preso numa armadilha”, protestou.

Dilma classificou as chamadas “pedaladas fiscais” como o fio condutor da trama da injustiça. “O crime de que me acusam é [ato de] gestão corriqueira. É algo que qualquer presidente faz”, argumentou. “Acho que eles supuseram que eu poderia renunciar, porque a minha presença é incômoda. Não tenho conta no exterior –já me viraram dos avessos–, nunca recebi propina, não aceito conviver com a corrupção. Dizem que sou dura porque é muito difícil chegar a mim para propor qualquer coisa incorreta. Não ousavam fazer isso”, disse.

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