Goebbels renasce no mundo via WhatsApp - Dilma Rousseff
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Goebbels renasce no mundo via WhatsApp

Por meio de uma poderosa rede de fakenews, um neonazista está prestes a chegar ao poder pelo voto

18/10/2018 4:07

 Marcelo Próximo

No Brasil a democracia foi mortalmente ferida pela maior rede de notícias falsas já montada no mundo – via WhatsApp.

Por meio de uma poderosa rede de fakenews, um neonazista está prestes a chegar ao poder pelo voto. O fenômeno que ocorre no Brasil está agora sendo denunciado, e assusta o mundo.

Sem nenhum controle sobre transmissão de conteúdos ou notícias falsas por spam e/ou grupos, o WhatsApp se tornou meio ideal para o fomento de grupos extremistas que divulgam não só propagandas que legitimam discursos nazifascistas, como também  massacram adversários políticos e a própria democracia, com redes poderosas de notícias falsas – fakenews.

24 horas antes das eleições, a ex- Presidenta Dilma, candidata que liderava a disputa ao Senado, tinha praticamente o dobro das intenções de votos sobre segundo, terceiro e quarto colocados, em todas as pesquisas. No entanto, sem nenhum fato novo explícito, na contagem de votos inexplicavelmente (naquele momento) Dilma terminou em quarto lugar, ficando fora do Senado. O que aconteceu com Dilma se repetiu em todo país, detonando candidaturas de esquerda e alavancando de maneira extraordinária candidaturas ligadas à extrema-direita.

O que explica esse fenômeno eleitoral  inédito no mundo e no Brasil?

Uma onda silenciosa de ataques em massa que replicaram notícias falsas e orientaram votos “anti-qualquer coisa”, mudou em 24 horas o cenário que estava racionalmente monitorado por todos os grandes institutos de pesquisa do país. A democracia foi reorientada por notícias falsas e fora do crivo da lei.

O fenômeno de 24 horas não foi monitorado por nenhum instituto de pesquisas, surpreendendo todos os especialistas,  tal foi sua velocidade e características. Provavelmente somente os operadores dos grupos de redes de WhatsApp de Bolsonaro monitoraram sua própria força. Em vídeo recente, o candidato que não fez campanha na TV e não participou de nenhum debate, aparece com celular rolando centenas de grupos de WhatsApp no próprio celular e anunciando: “depois do café respondo todos vocês”. Os grupos tinham nomes tais como: faca na caveira, direita brasileira, arianos do Brasil etc.

Após as votações com análise dos picos extraordinários de likes e deslikes dos candidatos e temas ligados à esquerda ou à extrema-direita, o diagnóstico se tornou possível. A extrema direita massacrou a esquerda em 24 horas, com  ações de guerrilha em redes sociais nunca vistas no mundo. Tal fenômeno só foi possível porque uma rede específica – o WhatsApp – torna possível o trabalho silencioso e em grupos segmentados, que, orientados, só foram para as redes monitoradas e com regras nas últimas horas do jogo.

É óbvio que assim como em um desastre de avião, um fenômeno dessa natureza não ocorre por um único fator. Cinco dias antes das eleições, a Rede Globo veiculou notícia requentada de uma delação sem provas contra a ex- presidenta, aberta por um juiz que persegue de todas as formas e com todas as forças o Partido dos Trabalhadores e seus líderes. As denúncias vazias e constantes da Globo contra a ex-Presidenta, contra Lula e contra qualquer líder ligado à esquerda brasileira pareciam não ter mais força via TV. Mas o exército de notícias falsas e alarmistas de Bolsonaro, ávido por artilharia, editou, espalhou e amplificou a denúncia, que corroborou a rede das fakenews.

A 15 dias das eleições, três temas massacram um partido de viés democrático:  se incentiva o homossexualismo entre crianças, se vai trazer o comunismo da Venezuela, se é o criador e único partido que praticou corrupção no Brasil.  É isto que hoje a maioria absoluta dos brasileiros lê e replica em seus grupos de WhatsApp.

Esses três temas via WhatsApp estão colocando em risco a democracia brasileira e tornando possível a eleição de um líder assumidamente racista, homofóbico, admirador e entusiasta do nazismo.

O fato dos grupos de WhatsApp estarem segmentados por níveis distintos de afinidades e radicalismos permitiu aos grupos de Bolsonaro alimentar cada um desses grupos, cada  rede, com a dose certa de veneno.

Para grupos de periferia, que incluem negros, Bolsonaro diz que não é racista. Em grupos não-homofóbicos, aparece abraçando gays. Em grupos neonazistas, diz o que pensa: negros e pobres têm que ser esterilizados, gays têm que apanhar.

Como detém 90% da redes de distribuição de conteúdo via WhatsApp, massacra os adversários que não são adeptos das práticas das fake news,  capazes de arrebatar exércitos de zumbis militantes via celular. O nazismo renasce aqui. O ambiente daria inveja a Goebbels. O Whatsapp sem controles e sem regras é um sonho para seus seguidores.

Com as proteçōes que só WhatsApp dá a um processo de comunicação em massa,  a rede via celulares vira terra sem lei para exercício da perversão e de mentira na comunicação de massa. Agora, o WhatsApp se tornou a ferramenta preferida e mais eficiente do neonazismo no mundo. O Brasil mostrou a eficiência do que está disponível à extrema-direita, e pode fazer escola para o mundo.

 

Os gráficos dos analytics mostram que Bolsonaro tem hoje o monopólio do WhatsApp no Brasil, quando o assunto é política. Bolsonaro coloca em risco a democracia brasileira e já é reconhecido como uma nova possibilidade para o renascimento do nazifacismo no mundo.

Eis um gráfico que mostra o massacre na internet no dia 03 de outubro: 85% do pico do gráfico foi sustentado por notícias falsas.

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