ENSINO À DISTÂNCIA É FOME DENTRO DE CASA - Dilma Rousseff
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ENSINO À DISTÂNCIA É FOME DENTRO DE CASA

Proposta de governo do candidato da extrema-direita deixará 43 milhões de crianças e adolescentes sem alimentação escolar

24/10/2018 2:59

Se o Brasil passar pelo infortúnio de eleger o candidato da extrema-direita à presidência, no domingo, a aplicação de uma de suas principais propostas de governo causará uma calamidade na vida de 43 milhões de crianças e adolescentes, assim como aos seus pais e parentes mais próximos.

O protofascista Jair Bolsonaro anunciou que vai adotar o ensino à distância nas escolas públicas de todos os níveis – fundamental e médio. Alega que desta forma fará economia, já que os estudantes ficarão em casa, e inibirá o que chama, num delírio paranóico, de ensino de ideias marxistas nos colégios.

A aplicação do ensino à distância no ensino fundamental e médio provocará a extinção da alimentação escolar, que beneficia todas as crianças e jovens das escolas públicas, e que foi uma das principais razões que levaram o Brasil a praticamente extinguir a desnutrição e a ser retirado do Mapa da Fome da ONU, em 2014.

O Brasil é o país, entre os mais populosos do mundo, que teve a maior queda de subalimentados entre 2002 e 2014: 82,1%. No mesmo período, a América Latina reduziu em 43,1% os que passam fome.

Um dos principais motivos  apontados pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) para vitória do Brasil  contra a fome foi o acesso a alimentos por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).  Esse programa fornece, todos os dias úteis, refeições nas escolas a 43 milhões de crianças e jovens brasileiros. Além disso, é obrigatória a compra de no mínimo 30% dos alimentos produzidos pela agricultura familiar, o que cria um círculo virtuoso, pois aumenta a renda dos pequenos agricultores.

Muitas mães e pais de estudantes da rede pública só agora estão percebendo que, em caso de vitória de Bolsonaro, o projeto de ensino à distância, que ele anunciou, privará seus filhos de alimentação diária imprescindível e saudável, além de obrigar pelo menos um adulto de cada família a abandonar o emprego, para tomar conta das crianças, que ficarão em casa. Uma catástrofe que se traduzirá em fome, desnutrição, doenças, evasão escolar, dificuldade de aprendizado, desemprego para os pais, redução da renda familiar e prejuízos aos agricultores que vendem sua produção às escolas.

Se foi a alimentação escolar que ajudou a reduzir a miséria e retirou o Brasil do Mapa da Fome, é o programa de governo de  Bolsonaro que vai nos levar de volta a um passado de desigualdade e indigência que o país já havia superado, durante os governos petistas, embora já começasse a ser  comprometido pelo governo Temer. Trata-se de uma violência, de uma ameaça irresponsável, produzida por visão tacanha, perversa e desumana e por uma aversão crônica aos pobres, aos desprotegidos e aos trabalhadores.

Espero que as mulheres brasileiras, que têm filhos nas escolas públicas e dependem disso para que suas crianças se alimentem melhor e fiquem em segurança enquanto elas trabalham, percebam que Bolsonaro promete acabar com esta proteção fundamental do estado à infância e à juventude, se vencer a eleição.

Votar em Bolsonaro é, por isso, votar na desnutrição de pelo menos 43 milhões de crianças e jovens, é votar na volta da fome e da miséria, é votar no desemprego e na destruição da agricultura familiar.

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